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Uma mistura do erudito com o popular. Nada simples e nada sublime, ocupo-me com o que me interessa. Leio e escrevo para viver, é uma necessidade para ser feliz. Tenho manias, preconceitos e afinidades como todos tem. Sou um garoto criado sob uma redoma de vidro e não me envergonho disso. Gosto de poema, ouço Mozart, curto pop art, uso all star e gravata borboleta. =)

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

O banco no parque


Sobre seus cabelos soprava um vento forte. A fina garoa o acompanhava na tarde gelada de inverno. Sentou-se em um banco no parque da cidade, abriu o livro e começou a ler. O movimento ao seu redor era grande. Nada mais o importava. Estava com o seu grande amigo: um livro. As letras passavam sob os seus olhos rapidamente. Formavam palavras, frases, opiniões. O casaco de lã comprado em um bazar beneficente e o cachecol azul feito pelas mãos de sua avó não impediam o seu corpo de perder calor. Sentia-se cada vez mais gelado. Gostava da sensação.
O vento fazia barulho ao passar entre as árvores. As mãos descobertas e com alguns dedos machucados de tanto escrever viravam as páginas do livro. As lágrimas escorriam de seus olhos. O coração pulsava cada vez mais fraco. As lembranças do inverno passado ainda estavam presentes e isso o machucava. A espera por um simples telefonema consumia todas as esperanças de algo novo. Queria apenas ouvir a doce voz. O que lia era triste, mas nada chegava perto da tristeza que envolvia todo o seu ser.
Levantou do banco como que por um impulso, correu em direção ao pipoqueiro. Comprou um pacote de pipoca doce, como fizera da primeira vez que fora ao cinema acompanhado de uma dama, mas dessa vez estava sozinho. Olhava à sua volta, procurava nos rostos anônimos aquela que lhe dera momentos de felicidade. Não mais a encontrava.
Voltou, sentou no mesmo banco. Os termômetros registravam 4ºCelsius. Os transeuntes estavam recheados de roupas. Muitos o olhavam com desprezo, outros nem o percebiam. O cansaço e o frio o fizeram voltar para casa. No caminho pensou o que seria necessário fazer para esquecer aquela que o roubou o coração. Nenhuma solução encontrada. Chegou à porta da casa. Abriu-a, certificou-se de que estava tudo em ordem. Acendeu rapidamente a lareira. Preparou um chocolate quente. Pegou alguns cobertores e se enrolou próximo ao fogo. Em poucos instantes a casa estava quente e confortável. O telefone que fica sobre uma pequena mesa anos 20 à frente de um espelho com moldura clássica na sala íntima tocou. Correu para atender. Ao olhar para o espelho viu um rosto mais velho. O tempo passara e não percebera. Do outro lado da linha, uma voz feminina, um pouco rouca, mas doce e delicada. O coração palpitava.
–Alô. – um tempo de espera – Alô!
Não acreditava. Seu sonho tornara-se realidade.
-É você mesma? – perguntou aflito. –Sophie, é você?- insistiu.
-Ligo para dizer que sinto sua falta. -respondeu a voz doce e rouca do outro lado da linha. –Foi o mais importante que me aconteceu em toda a minha vida. –completou.
Estava perplexo. O livro, a lágrima, a pipoca. Cenas, lembranças de um grande amor.
-Sinto sua falta! Porque não volta? Perguntou ele.
-Es...ta......- A ligação caíra. Ela tentava dizer alguma coisa a ele.
Ficou ao redor do telefone durante uma hora. Nada. Ele nunca mais tocou. Voltou para afrente da lareira e pegou o livro. Um velho álbum de fotografias do tempo de escola. Sophie fora uma grande amiga de escola. Uma amiga para a vida toda. Quilômetros agora os separavam. Restavam lembranças. Um velho álbum de fotografias, algumas rugas na face e agora o som de uma doce, delicada e rouca voz. Algumas breves palavras e um telefone mudo.

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