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Lucio andava pela cidade. O lixo tomava conta das ruas. Parecia que ninguém por ali habitava. Gente jogada pelas calçadas, um cheiro desagradável e um clima tenso. Um desconforto, um medo. A beleza dos edifícios o encantava. Mármores, esculturas, concreto, bandeiras, portas antigas, janelas de vidro, e um vento que era canalizado pelos prédios grudados uns nos outros. Famílias passeavam, tiravam fotos, faziam poses, comentavam sobre o que viam. Lucio respirava história, respirava indignação e respirava satisfação. Aquela cidade já fora um dia glamurosa. Fora um dia próspera e alegre. Calma também.
Imaginou-se caminhando pelas ruas no começo do século passado. Vendo pessoas bem vestidas, bondes subindo as ladeiras, charretes carregando damas e café. Uma época próspera, onde a preocupação era chegar com o café no porto de Santos. Seria Lúcio a pessoa mais feliz do mundo. Não veria problemas. Não sentiria preocupações desse século...
Caiu na realidade. Deveria cuidar de seu país.
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