Quem sou eu

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Uma mistura do erudito com o popular. Nada simples e nada sublime, ocupo-me com o que me interessa. Leio e escrevo para viver, é uma necessidade para ser feliz. Tenho manias, preconceitos e afinidades como todos tem. Sou um garoto criado sob uma redoma de vidro e não me envergonho disso. Gosto de poema, ouço Mozart, curto pop art, uso all star e gravata borboleta. =)

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Separação


Pedi um tempo para viver. Longe dos seus cuidados e do seu amor sou livre. Não quero sofrer e não quero que sofra. Será melhor para nós dois. Eu aqui e você aí. Não viremos mais um conto de fadas, nem um romance romântico.
Saberemos o que fazer quando a saudade apertar, quando a vontade de sentir um carinho, de ser abraçado e de abraçar aumentar. Lembrar-me-ei das nossas conversas, dos nossos carinhos, das nossas trocas de olhares. Guardarei para sempre o primeiro beijo, o primeiro jantar, o primeiro natal juntos. Será eternizado o dia em que conheci sua família. O primeiro anel que te dei, espero que seja guardado. Comigo está todas as cartas que escreveu para mim.
Neste momento surgiu um flash em minha mente. Senti o mesmo frio na barriga que senti quando nos beijamos pela primeira vez. O silêncio antes da ação foi o mais longo que já vi. Pensei em desistir, fugir. Mas meu coração pedia para que eu ficasse ali. Quando percebi, já estávamos selando o nosso amor. Agora meu coração acelerou. Como aconteceu no final do nosso beijo.
Não chore enquanto falo. Lágrimas me partem o coração, deixam-me angustiado, tenho vontade de desistir. Não. Será melhor dessa maneira. Sofreremos no início. Mas a dor vai passando, com o tempo restarão apenas memórias, boas memórias. A cada palavra minha garganta dá um nó, como se não fosse para eu falar essas coisas. Sou mais forte, falarei, é a solução.
Não me devolva o anel. Por favor, é o que peço. Fique. Guarde-o com você. Não olhe para meus olhos. Estão tristes. Sim, eu choro. Quem lhe falou que homem não chora? Essa lágrima...
Vá. Não olhe para trás. Sofreremos menos lembrando dos bons momentos, dos risos, do brilho nos nossos olhos. As lágrimas serão péssimas lembranças. Vá. Busque a felicidade. Não demora, logo a encontrará.
Não, não quero que vá... Olhe para trás. Não, ela não olha. Foi sem ao menos me dar um abraço, um beijo. O último dos beijos, dos abraços. Sinto um vazio. É como se me arrancassem o coração. Será que ela se lembrará de mim? Não a vejo mais. As lágrimas não permitem. Ainda está secando o rosto? Quanto sofrimen... É melhor eu me apressar, já está começando o meu filme preferido na televisão!

domingo, 11 de outubro de 2009

O pote de ouro


Correr pelo mundo gritando que sou feliz, que sou livre. Comemorar a minha vida, os meus amigos. Celebrar a minha família, os meus amores. Viver sem medo de errar, essa é a minha grande vontade. Já perdi muito tempo estabelecendo limites para a minha felicidade, buscando uma civilidade que só eu tenho. Perdi tempo com etiquetas, com códigos morais, com marcar, rótulo. Preocupar-me-ei agora com a minha felicidade. Lutar pelos meus sonhos. Quero o mundo, e isso ainda é pouco para quem um dia quis o mais simples: reconhecimento.
Olhar o álbum de fotografias é uma das piores atividades de hoje. Lembrar que os bons momentos poderiam ser melhores se eu tivesse uma maior ambição. Caminho com um profundo arrependimento de não ter feito que tive vontade de fazer. Arrependimento de ter dado o meu melhor para os outros e não para mim mesmo.
Ainda não tenho o reconhecimento. Sou rotulado. Sou odiado. Sou amado. Mas sou feliz. Encontrei em mim o poço da felicidade. Sim, no final do arco-íris tem o pote de ouro. E esse ouro se chama eu-lírico.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Tranquilidade


Curtir um bom som e ler um bom livro são coisas que me dão muito prazer. Ultimamente encontrei dificuldades e soluções para conseguir fazer o que mais gosto. Dificuldades em escutar uma boa música. Ainda não em adaptei em ouvir música no trem, é impossível não me enroscar no fio do fone de ouvido e arrebentá-lo. O que me resta é escutar a música dos outros. Estou diante de um grande impasse: ouvir funk! Música que caiu no gosto das camadas sociais mais baixas e tomou conta dos vagões da Linha E da CPTM. As minhas leituras tornaram-se mais rápidas (apelidaram-me em casa de devorador de livros), e eu leio durante as longas viagens diárias feitas até o cursinho.
Mas nada é tão prazeroso do que ler ouvindo uma música de Villa-Lobos, ou ao som de Maria Rita, Zélia Duncan e outros do gênero. Sentar na poltrona da sala de estar e afundar-me na leitura aos sábados e domingos tornaram-se impossíveis de serem realizadas. Mas dentro de mim ainda existe uma vontade de ler confortavelmente, sem o balanço do trem, empurrões e ao som de músicas típicas de jovens “malandros”.
Não gosto de criticar as pessoas por terem outro estilo de vida. Geralmente eu evito pensar que existem diferenças entre mim e outras pessoas. Mas torna-se inevitável ao me deparar com celulares modernos com suas variadas funções não ter ao menos um fone de ouvido. Poxa! Onde está o respeito com outras pessoas? Eu não obrigo ninguém a ouvir minhas músicas que agradam poucas pessoas. Eu respeito para ser respeitado! Sonho com o dia em que eu poderei sentar na minha poltrona sem me preocupar com nada, apenas em ler, ouvir música e tomar o meu bom e velho chimarrão.