
Acordei atrasado. Algo me dizia que o dia não seria muito bom (não sentia essas coisas até começar a andar com uma amiga do cursinho que vive tendo esses pressentimentos). Tomei o meu leite com Nescau (não é propaganda, mas não gosto de outros achocolatados) e comi pão com requeijão. Era um dia normal. Sem vontade de estudar, resolvi acessar o site da Academia Brasileira de Letras, ABL. Nesse momento me veio uma indignação enorme. A Casa de Machado tornou-se um lugar onde não-literatos assumem cadeiras. Basta ter dinheiro e escrever algumas porcarias. Desculpem-me, mas Ivo Pitanguy é um médico. Quem hoje, além de cirurgiões, leu suas obras?
Se estivesse vivo, provavelmente o Fundador da ABL teria sido contra, até mesmo, a candidatura de tais personalidades. Para tornar-se imortal basta ter um pouco de dinheiro e fama. Os escritos não valem mais nada. O estatuto talvez esteja ultrapassado e necessite de emendas e reformas. Mas quem precisa urgentemente de reformas é o pensamento de toda a diretoria de tão célebre instituto literário. Alguns dos nossos maiores nomes passaram por lá. Alguns eleitos não chegaram nem mesmo a “esquentar a cadeira”, mas o importante é que foram imortalizados.
Infelizmente todo o glamour acabou. Roberto Marinho, Paulo Coelho e todos esses outros pseudo-escritores deveriam saber que quem procura pessoas com dinheiro são os bancos suíços, e não a nossa Academia. Sempre tive vontade de ser um imortal. Mas só me candidatarei se perceber que minhas obras influenciaram o país e se os bons tempos e costumes voltarem a prevalecer sob o teto da Sala de Chá.
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