Quem sou eu

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Uma mistura do erudito com o popular. Nada simples e nada sublime, ocupo-me com o que me interessa. Leio e escrevo para viver, é uma necessidade para ser feliz. Tenho manias, preconceitos e afinidades como todos tem. Sou um garoto criado sob uma redoma de vidro e não me envergonho disso. Gosto de poema, ouço Mozart, curto pop art, uso all star e gravata borboleta. =)

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

O banco no parque


Sobre seus cabelos soprava um vento forte. A fina garoa o acompanhava na tarde gelada de inverno. Sentou-se em um banco no parque da cidade, abriu o livro e começou a ler. O movimento ao seu redor era grande. Nada mais o importava. Estava com o seu grande amigo: um livro. As letras passavam sob os seus olhos rapidamente. Formavam palavras, frases, opiniões. O casaco de lã comprado em um bazar beneficente e o cachecol azul feito pelas mãos de sua avó não impediam o seu corpo de perder calor. Sentia-se cada vez mais gelado. Gostava da sensação.
O vento fazia barulho ao passar entre as árvores. As mãos descobertas e com alguns dedos machucados de tanto escrever viravam as páginas do livro. As lágrimas escorriam de seus olhos. O coração pulsava cada vez mais fraco. As lembranças do inverno passado ainda estavam presentes e isso o machucava. A espera por um simples telefonema consumia todas as esperanças de algo novo. Queria apenas ouvir a doce voz. O que lia era triste, mas nada chegava perto da tristeza que envolvia todo o seu ser.
Levantou do banco como que por um impulso, correu em direção ao pipoqueiro. Comprou um pacote de pipoca doce, como fizera da primeira vez que fora ao cinema acompanhado de uma dama, mas dessa vez estava sozinho. Olhava à sua volta, procurava nos rostos anônimos aquela que lhe dera momentos de felicidade. Não mais a encontrava.
Voltou, sentou no mesmo banco. Os termômetros registravam 4ºCelsius. Os transeuntes estavam recheados de roupas. Muitos o olhavam com desprezo, outros nem o percebiam. O cansaço e o frio o fizeram voltar para casa. No caminho pensou o que seria necessário fazer para esquecer aquela que o roubou o coração. Nenhuma solução encontrada. Chegou à porta da casa. Abriu-a, certificou-se de que estava tudo em ordem. Acendeu rapidamente a lareira. Preparou um chocolate quente. Pegou alguns cobertores e se enrolou próximo ao fogo. Em poucos instantes a casa estava quente e confortável. O telefone que fica sobre uma pequena mesa anos 20 à frente de um espelho com moldura clássica na sala íntima tocou. Correu para atender. Ao olhar para o espelho viu um rosto mais velho. O tempo passara e não percebera. Do outro lado da linha, uma voz feminina, um pouco rouca, mas doce e delicada. O coração palpitava.
–Alô. – um tempo de espera – Alô!
Não acreditava. Seu sonho tornara-se realidade.
-É você mesma? – perguntou aflito. –Sophie, é você?- insistiu.
-Ligo para dizer que sinto sua falta. -respondeu a voz doce e rouca do outro lado da linha. –Foi o mais importante que me aconteceu em toda a minha vida. –completou.
Estava perplexo. O livro, a lágrima, a pipoca. Cenas, lembranças de um grande amor.
-Sinto sua falta! Porque não volta? Perguntou ele.
-Es...ta......- A ligação caíra. Ela tentava dizer alguma coisa a ele.
Ficou ao redor do telefone durante uma hora. Nada. Ele nunca mais tocou. Voltou para afrente da lareira e pegou o livro. Um velho álbum de fotografias do tempo de escola. Sophie fora uma grande amiga de escola. Uma amiga para a vida toda. Quilômetros agora os separavam. Restavam lembranças. Um velho álbum de fotografias, algumas rugas na face e agora o som de uma doce, delicada e rouca voz. Algumas breves palavras e um telefone mudo.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Quando existir um Brasil, avisem-me!


Só quero viver em um país mais igualitário socialmente. Quero viver sem ter o medo de enfrentar uma guerra. Quero viver sem ter medo de ser assaltado na primeira esquina que virar ao sair de casa por um pai de família desesperado em busca de alimento para seus filhos. Que país é esse onde encontramos pessoas jogadas ao chão como papéis de balas deixadas caídas dos bolsos? Digam-me! Quero me localizar. Estou cansando de ver tanta desgraça.
No lugar que chamam de Capital Federal ocorrem os maiores roubos da história. São milhões de reais desviados dos cofres públicos para o bolso de ricos e bons políticos que outros colocaram no poder. Desculpem-me todos aqueles que votaram em nosso amado Presidente da República, mas que bela escolha hein?! Isento-me de culpa sobre as escolhas políticas até a próxima eleição (se houver!), uma vez que não podia votar pela pouca idade. Mas culpo todos aqueles que foram às urnas e elegeram uma ameaça à sociedade. Sim, é uma ameaça! Colocar um populista no poder é pedir por ditaduras, reeleições e golpes de estado. Um populista no poder é sinônimo de esmolas aos pobres não de distribuição de renda. Não sou do tipo comunista, socialista, anarquista ou qualquer outra forma de governo, aprecio a democracia e o capitalismo, mas peço que tenham responsabilidade ao colocar um político desses no governo.
Tivemos grandes avanços econômicos, sociais, uma melhora numérica nos nossos índices e hoje temos um alto IDH (0,8), mas de nada vale essa melhora quantitativa se não houve melhora qualitativa. Somos cercados de pobreza, desemprego, injustiças sociais. Ainda temos problemas com saúde, educação e transporte público(se tiverem dúvidas tente realizar alguma intervenção cirúrgica em hospitais públicos, pegue um trem da CPTM às 6horas da manhã e depois tente embarcar no metrô de são Paulo no sentido Corinthians-Itaquera às 18 horas na estação Sé. Notarás um certo déficit no transporte público. Sobre a educação, basta pegar algum aluno de periferia e mandar ler e interpretar algum texto jornalístico, ler algum artigo da The Economist e mandar resolver uma equação do segundo grau que resultou de um gráfico de física. Entenderás o que eu falo.). Não está na hora de sairmos às ruas em busca do nosso interesse? Que democracia é essa que censura jornais e propagandas? Que democracia é essa em que as pessoas são OBRIGADAS a votar e alistar-se no serviço militar? Que democracia é essa onde presidentes “aceitam” ter como presidente do Senado alguém acusado de corrupção, lavagem de dinheiro e outros crimes? (Não faço parte de O Estado de São Paulo, posso falar mal do Sarney, ainda não fui censurado). Quero saber que tipo de democracia é essa. Estou farto de ver jovem sem vontade alguma de estarem “antenados” com a política nacional.
O que eu quero, dessa vez não é utopia. O que eu quero é o que deve existir. Não falo dessa vez de amor, de carinho, ou de qualquer outra forma de sentimento. Eu falo de uma realidade que deveria prevalecer no “Florão da América”. O tempo de lutar está acabando. Depois não adianta gritar por liberdade. Guerras e golpes se aproximam.Só não esqueçam de me avisar quando existir um Brasil.

domingo, 27 de setembro de 2009

Um método para viver


Um ser metódico nem sempre é infeliz. As pessoas tacham os metódicos de tristes, loucos, estranhos. Não concordo com isso. Primeiro em tachar pessoas. Cada um tem o seu estilo de vida, a maneira de sentar, andar, caminhar, comer, falar, estudar. São pequenas particularidades que dão um toque especial na vida das pessoas.
Eu tenho várias manias. Muitas particularidades E sou feliz com elas. Não me sinto triste nem tão pouco um estranho. Não me sinto bem sentando em outro lugar à mesa de casa, não me sinto bem tomando leite com nescau sem açúcar. Não consigo ouvir música alta. Durante o banho, preciso primeiro lavar o cabelo. Não consigo pegar o copo com a mão esquerda durante uma refeição. Estabeleço metas para ler livros. Tenho horários certos para sair de casa. Cronômetro o meu tempo embaixo do chuveiro pela manhã. Não consigo deixar almofadas fora do lugar. Tenho mania de lavar a mão sempre. Após começar a usar óculos, preciso ajeitá-lo sobre a face ao menos a cada trinta minutos. Tenho horário para fazer xixi, e se me der vontade antes, seguro até a hora certa (e isso não em deixa com dores, como acontece geralmente com outras pessoas). Ao ligar o computador e conectar-me à internet, primeiro abro a página da Folha de São Paulo, depois a página do orkut, conecto o msn e depois abro os meus blogs. Leio noticias, procuro por comentários nos blogs, vejo quem está on-line no messenger e depois olho as atualizações no orkut. Por último vejo meus recados e abro minha caixa de e-mails.
Durante a ida ao cursinho, também tenho minhas manias. Sento no mesmo banco do ônibus, pego o mesmo trem, o mesmo vagão e entro pela mesma porta. No metrô, caminho até o primeiro vagão. Entro na terceira porta. Depois na troca de linha do metrô, repito os mesmos procedimentos. Já ia me esquecendo. Entre as estações São Joaquim e Vergueiro do metrô que pego na minha mochila a carteirinha do cursinho e coloco no bolso esquerdo da calça jeans. Isso porque o celular já ocupou o bolso direito.
Em casa tenho um verdadeiro ritual de estudos. Preciso espalhar todo o meu material sobre a bancada de estudos, depois folheio toda a apostila, separo a lapiseira, coloco a caneta vermelha atrás da caneta azul. Coloco a borracha do lado das canetas. Começo a estudar. Para ler teoria de humanas, só consigo fazer segurando um lápis ou a própria lapiseira com os dedos indicador e médio (o lápis me dá uma sensação mais confortável que a lapiseira).
Esses são apenas alguns dos meus vários métodos. Sim. Eu sou um ser metódico. Não consigo executar nada fora desses padrões. Eu tenho métodos até dentro da igreja. Tenho um banco predileto. Mas isso não vem ao caso. Eu não me incomodo em ter minhas manias. Sou sistemático com orgulho. Não acho que isso seja motivo de adjetivações feitas por terceiros. Muito menos motivo de graça. Esse sou eu, e tenho certeza que muitos de vocês que estão lendo e se divertindo com minhas manias também tem as suas. Você também é um metódico!

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Tem dias


Dias que tudo me alegra. Dias que o Sol brilha mais, o vento é mais fresco, os pensamentos são menos interrogativos. Dias que não me sinto escravo do sistema. São aqueles dias que recebo bom-dia por todos, que abraço quem eu amo. Dias que controlo minha sinceridade. O mais engraçado é como esse dia começa. Geralmente é quando pela manhã, mesmo escuro, digo:
- Bom dia Sol.
È quando eu acordo pensando em alguma música boa, ou sonhei que sou amado. As vezes, basta eu olhar no espelho e ver que ainda me restam traços infantis e me sinto inocente.
Quando tudo me entristece é quando acordo e escuto o barulho da chuva. Começo a ter crises existenciais. Um bom-dia basta para que eu seja tachado de monstro, mal-educado e outras coisas. Nesse dia sempre vejo violência, miséria, solidão. Sempre fico confuso e penso se devo oferecer ajuda. Tento ser melhor. Tento ser carinhoso. Mas fico sempre com medo de invadir o espaço alheio. Acho que as pessoas são como eu e gostam da solidão.
Felizmente a vida é assim. Tem dias...

terça-feira, 22 de setembro de 2009

A primeira rosa

A primeira rosa que dediquei a você. Assim decidi começar esse texto. Talvez eu não seja muito romântico, não idealize amores e nem queira ter-te ao meu lado. Talvez eu apenas ame. Sim. É isso, apenas amo. Amo de uma forma especial. Amo sem cobrar, amo sem me importar se é feio amar. Amo, e isso é o que importa.
A escolha da rosa aconteceu porque é o próprio poema. E todo amante é poeta. Rosa porque é delicada. As pétalas me fazem lembrar seu rosto delicado e rosado. O perfume exalado por uma flor, é sempre o perfume de uma menina/mulher. O clima vintage de uma rosa oferece a oportunidade de experimentar o sabor de um amor verdadeiro. O amor de praças, mãos dadas e confiança. O amor que respeita limites, que exige valores morais. Um amor puro e sincero.
Foi a primeira garota que ofereci uma rosa, e quem sabe a última. Não por que quero deixar de amar-te, mas porque quero amar-te a vida inteira. Quero ver o seu sorriso ingênuo, sentir o calor do teu abraço, o toque de seu rosto e seu perfume. Quero cuidar de tua delicadeza. Fazer-te princesa. Quero fazer-te feliz. Guardarei a rosa. Oferecê-la-ei no momento oportuno. Esse momento será único. Será o dia mais feliz da minha vida. A primeira rosa. O primeiro amor.
Enquanto não sou feliz ao teu lado, prezo pela tua felicidade. Sou feliz admirando-te. Sou feliz amando-te. E como o Pequeno Príncipe, cativarei a rosa aguardando o tempo para poder cativar-te.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Um certo Dom


“Não consulte dicionários. Casmurro não está no sentido que eles lhes dão, mas no que lhe pôs o vulgo de homem calado e metido consigo. Dom veio por ironia, para atribuir-me fumos de fidalgo.”
Machado de Assis

Talvez essa seja a minha maior caracterização. Esse sentimento de nostalgia causou-me certos problemas. Meu ar de superioridade dá-me aspecto de casmurro, rabugento. Não sou ao certo como Bentinho. Mas pareço às vezes. No sentido de Dom, realmente me assemelho. Não sou fidalgo, nem tão pouco faço parte de uma elite. Mas o modo que falo, me visto e me apresento aparenta-me fidalgo.
Mimado e fraco, não consigo me desgrudar dos cuidados de meus pais. Incapaz de tomar decisões. Ficarei como a personagem de Machado de Assis? Serei eu mais um Casmurro neste mundo, vivendo uma nostalgia constante? Quero mudar. Mudar para tentar direcionar minha vida. A confiança nas pessoas nunca foi meu ponto forte. Sempre tive um pé atrás com o ser humano. Talvez por sofrer na infância, ou por conviver com mulheres que geralmente são dissimuladas.
Sou as vezes incapaz de encarar alguém. Sinto-me muito mais intimidado do que intimidador. Sinto-me fraco, mesmo acreditando que sou forte. Tento buscar nas pessoas fidelidade, apoio. Tento. Não consigo. Poucos sabem os meus segredos. E ninguém sabe a totalidade de meus segredos. Sou um ser vivente sem ver a graça em viver.
Procuro mostrar-me imponente, mas o que consigo são inimigos. Mostro quem sou e encontro pessoas com “pena desse pobre menino”. Sinto que chegou a hora de crescer. Mostrar ao mundo que não sou, nem serei um Bentinho. Capitu não irá me trair. Não tentarei arrumar as falhas da adolescência na velhice. Tentarei ser eu mesmo. Forte ou fraco. Calado ou não. Serei Dom. Mas não serei Casmurro

sábado, 19 de setembro de 2009

Ensaio III- Salvador

Vi-me encantado
Seu brilho me animara
Meu coração empedrado
Amolecia a cada manhã

Descobri-te tarde
Mas cedo o suficiente
Para me sentir contente
E de ti fazer parte

Transformei-me
Amou mais do que pode
Levantou quando cai
E em cada olhar estás a sorrir
Mostrou-me a felicidade
E permitiu estar junto de ti

Meu pranto hoje
Inunda a cidade
Cidade movimentada
Cheia de perversidade
Quero ter humildade
E fazer tua vontade

Ofereço-me a ti
Na abandone-me aqui.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Ensaio II - nova realidade

Nem tudo acontece
A gente cresce
O sol se põe
E quando amanhece
Uma parte da
Vida passa sem
Ao menos perceber
O que a gente tem

O dia é efêmero
Mas sempre memorável
Não importa se é belo
Ou aproveitável

Os retratos permanecem
Enquanto anoitece
E a música embala
Aquilo que a gente engrandece

“To be or not to be”
Pensei nisso quando dormi
E ao despertar
De um novo jeito amanheci

Nobreza


A vantagem de amores não correspondidos é que podemos amar quantas vezes quisermos. Não precisamos nos preocupar em amar apenas uma pessoa. Somos livres para amar até encontrarmos alguém que corresponda ao nosso amor. Outra vantagem é poder idealizar amores, pessoas. Pela manhã queremos as mais românticas, durante a tarde queremos aquela pessoa mais realista e pela noite queremos alguém que saiu do conto de fadas com direito a carruagem, sapatinho de cristal, fada madrinha e um belo palácio. Humano é bicho estranho mesmo.
Nunca fui de demonstrar o meu amor, mas fui um grande amante. Amei a vida, amei mulheres, amei amigas, amei desconhecidas. Talvez só não tenha amado parentes, pelo menos não dessa forma. Amar parente deve ser algo com respeito e muita cumplicidade. Mas tem que ser um amor fraterno, se não deixa de ser amor e se torna perversidade.
Não vejo problemas em amar. Contanto que não nos sintamos tristes, e nem deixemos outras pessoas tristes. Não tem coisa pior nesse mundo que sofrer por amor. Vejo as pessoas chorarem, outras ficarem doentes, outras perderem a vida, e fico muito triste. As pessoas não aprenderam a amar. E provavelmente não amaram. Quem ama não sofre. A vida de um amante é a mais feliz. Não vê problemas, não vê tristeza e não tem um sentimento possessivo. Quem ama ri a toa. Quem ama sai desejando bom dia para o vizinho, o porteiro, o motorista, o padeiro, sem discriminação de etnia e classe social. Quem ama perdoa. Acorda feliz para ir trabalhar, estudar e volta pra casa com ânimo para alegrar a família.
Às vezes tenho a impressão de que não sei amar totalmente. Mas o pouco que sei me faz feliz todos os dias.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Verbo Ser

"Que vai ser quando crescer?
Vivem perguntando em redor. Que é ser?
É ter um corpo, um jeito, um nome?
Tenho os três. E sou?
Tenho de mudar quando crescer? Usar outro nome, corpo e jeito?
Ou a gente só principia a ser quando cresce?
É terrível, ser? Dói? É bom? É triste?
Ser; pronunciado tão depressa, e cabe tantas coisas?
Repito: Ser, Ser, Ser. Er. R.
Que vou ser quando crescer?
Sou obrigado a? Posso escolher?
Não dá para entender. Não vou ser.
Vou crescer assim mesmo.
Sem ser Esquecer."

Carlos Drummond de Andrade

O que falta?


Falta sensibilidade. Falta educação.
Hoje, seguindo minha rotina, entrei no metrô de São Paulo e fui bem recebido. Levei chutes, fui empurrado. Entendo que as pessoas ficam atrasadas, e não podem perder aquele metrô, mas não há necessidade de tamanha brutalidade. Calma! Tem espaço pra todo mundo(ou talvez não). Mas de qualquer forma, não podemos deixar com que pessoas assim andem impunes e achando que são corretas fazendo isso. Estou completamente roxo, parece que levei uma boa surra. Estou dolorido também.
Não consigo entender como uma cidade enorme e desenvolvida como São Paulo não consiga educar todos os seus cidadãos. Não culpo mais o sistema de transporte. Operários correm contra o tempo para finalizar as obras de expansão das linhas do metrô e da CPTM. Culpo agora os moradores. Não conheço o sistema de transporte publico de outros países, mas tudo me leva a crer que isso só acontece aqui.
Lembro-me que quando era criança e andava de metrô pela cidade, não via nada disso (estação Sé é uma exceção). Essas cenas eram constantes nos trens mal-conservados da CPTM. Eu me sentia confortável até em andar usando o metro. Até preferia ao invés do carro. Hoje minha visão mudou. Prefiro horas no trânsito infernal a ter que participar de lutas-livres diárias dentro de um meio de transporte coletivo.
Outro ponto que me incomoda é a falta de sensibilidade das pessoas. Eu ando diariamente com uma mochila lotada de livros, e isso não me agrada. Acho desconfortável e sempre acho que atrapalho os outros. Mas não tenho escolha. Eis que em uma bela manhã uma amável senhora com seus cabelos brancos reclamou da minha mochila. Falou que eu deveria na usar mochila. Perdi o controle. Não uso mochila lotada porque quero. Não enfrento o metro, trem e ônibus porque acho divertido. Eu moro longe, não tem cursinho perto de casa e eu quero fazer uma boa universidade. Ainda não sei dirigir, preciso do transporte publico - Eu e meus livros. E reclame quem quiser, vou continuar usando a mochila. Basta um pouco de sensibilidade. Se não usar mochila, carregarei onde minhas coisas? Na cabeça?

domingo, 13 de setembro de 2009

Ensaio I - realidade

Meus segredos revelados
Tornaram-se único assunto
Para todos os exilados
Meu país já é adulto
Mas ainda tem tumulto
Dentro e fora do senado
Cinco séculos de glória
Não mais acontece agora
Problema não vem de fora

Uma guerra se armando
E o povo apoiando
Uma floresta destruída
Enche bolso de gente rica

O vírus te contagia
E o índice aumenta
Vivendo na mordomia
Está a nossa burguesia

sábado, 12 de setembro de 2009

Maus literatos dentro da Academia


Acordei atrasado. Algo me dizia que o dia não seria muito bom (não sentia essas coisas até começar a andar com uma amiga do cursinho que vive tendo esses pressentimentos). Tomei o meu leite com Nescau (não é propaganda, mas não gosto de outros achocolatados) e comi pão com requeijão. Era um dia normal. Sem vontade de estudar, resolvi acessar o site da Academia Brasileira de Letras, ABL. Nesse momento me veio uma indignação enorme. A Casa de Machado tornou-se um lugar onde não-literatos assumem cadeiras. Basta ter dinheiro e escrever algumas porcarias. Desculpem-me, mas Ivo Pitanguy é um médico. Quem hoje, além de cirurgiões, leu suas obras?
Se estivesse vivo, provavelmente o Fundador da ABL teria sido contra, até mesmo, a candidatura de tais personalidades. Para tornar-se imortal basta ter um pouco de dinheiro e fama. Os escritos não valem mais nada. O estatuto talvez esteja ultrapassado e necessite de emendas e reformas. Mas quem precisa urgentemente de reformas é o pensamento de toda a diretoria de tão célebre instituto literário. Alguns dos nossos maiores nomes passaram por lá. Alguns eleitos não chegaram nem mesmo a “esquentar a cadeira”, mas o importante é que foram imortalizados.
Infelizmente todo o glamour acabou. Roberto Marinho, Paulo Coelho e todos esses outros pseudo-escritores deveriam saber que quem procura pessoas com dinheiro são os bancos suíços, e não a nossa Academia. Sempre tive vontade de ser um imortal. Mas só me candidatarei se perceber que minhas obras influenciaram o país e se os bons tempos e costumes voltarem a prevalecer sob o teto da Sala de Chá.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Um momento no passado


Lucio andava pela cidade. O lixo tomava conta das ruas. Parecia que ninguém por ali habitava. Gente jogada pelas calçadas, um cheiro desagradável e um clima tenso. Um desconforto, um medo. A beleza dos edifícios o encantava. Mármores, esculturas, concreto, bandeiras, portas antigas, janelas de vidro, e um vento que era canalizado pelos prédios grudados uns nos outros. Famílias passeavam, tiravam fotos, faziam poses, comentavam sobre o que viam. Lucio respirava história, respirava indignação e respirava satisfação. Aquela cidade já fora um dia glamurosa. Fora um dia próspera e alegre. Calma também.
Imaginou-se caminhando pelas ruas no começo do século passado. Vendo pessoas bem vestidas, bondes subindo as ladeiras, charretes carregando damas e café. Uma época próspera, onde a preocupação era chegar com o café no porto de Santos. Seria Lúcio a pessoa mais feliz do mundo. Não veria problemas. Não sentiria preocupações desse século...
Caiu na realidade. Deveria cuidar de seu país.

Independência de que??


Liberdade para quem pode. Liberdade para quem quer. Liberdade para quem precisa. Comemoramos hoje a independência do Brasil de Portugal. Comemoramos? Passamos de dependentes de Portugal para dependentes da Inglaterra. Hoje somos dependentes de falsos “messias”. Presidente, senadores e toda essa palhaçada que detém o poder da nação nas mãos. Nossos representantes são verdadeiros monarcas do antigo regime. Nossas vontades, a vontade da nação é negada. Prevalece a vontade de uma minoria poderosa e rica. Brasília está tomada por aproveitadores. Hoje, devemos pensar um pouco sobre aqueles que colocamos no poder. Acreditamos em falsas promessas, acreditamos em mudanças, em evolução. Até quando seremos o país do futuro? Até quando o Macunaíma vai ficar tentando entrar na Liga da Justiça? Até quando daremos oportunidade para que nossos irmãos latinos continuem obrigados a aceitar imposições de presidentes ditadores? A independência precisa acontecer diariamente. O Grito do Ipiranga foi apenas o começo de uma jornada de gritos pela independência. O pobre deve gritar pela independência, e acabar com esmolas dadas pelo governo federal e lutar por trabalho e salário digno. A nação brasileira deve gritar pela independência e lutar pelo afastamento de corruptos dentro do senado. Devemos gritar pela independência de todos os estados que estão com a economia vinculada a São Paulo. Devemos lutar por liberdade de opinião. Chega de aceitar o que nos é imposto. Aliás... independentes ou mortos?