Quem sou eu

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Uma mistura do erudito com o popular. Nada simples e nada sublime, ocupo-me com o que me interessa. Leio e escrevo para viver, é uma necessidade para ser feliz. Tenho manias, preconceitos e afinidades como todos tem. Sou um garoto criado sob uma redoma de vidro e não me envergonho disso. Gosto de poema, ouço Mozart, curto pop art, uso all star e gravata borboleta. =)

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Quem sou eu?


Transformei-me em alguém que não conheço. Deixei minha vida de lado. Fugi de mim. Deixei desfalecer aquele pequeno príncipe e me tornei mais um nobre qualquer ocupando o espaço geográfico. Deixei nascer em mim alguém inútil, sem grandes feitos, grandes descobertas. Fiz em mim o retrato de uma sociedade inteira. Uma sociedade patética, desmoralizada, sem futuro. Abri espaço para a corrupção. Fui alvo de banditismo, de selvageria e de insultos.
Talvez um desabafo melhore o meu ânimo. Há dias não escrevo, não converso. O convívio social tornou-se impossível. Sinais de agressividade e de insatisfação. Não sei mais o que fazer para que um dia possa ser feliz. Crescer me fez ver o quanto posso sofrer.Até quando vou aceitar isso? Até o dia em que eu retornar a ser quem eu fui. Cansei dessa vida sofrida, de injustiças, inseguranças. Quero a minha redoma de vidro de volta. Quero respirar um ar puro, fresco. Quero voltar a ser tratado como príncipe. Ter festas, amigos, serviçais. Usar roupas de veludo em tons de vermelho. Quero minha coroa novamente. Quero ter lugar ao lado do trono de meu pai. Quero ter minhas mãos beijadas na cerimônia do beija-mão. Quero sair às ruas e ver meus súditos me prestando homenagens. Quero ser carregado novamente.
Ah.. saudades do meu palácio. Do ouro, dos copos de cristais, das longas e pesadas cortinas. Dos lençóis de linho. Saudades da prataria, das jóias reais. Saudades da sala de banho, do quarto de vestir, do quarto de dormir. Saudades da biblioteca privativa com mais de cinco mil volumes. Quantas vezes eu vi, o jardim de inverno florescer, acolher em suas flores a neve suave e branca, sentado à frente da lareira tomando chocolate quente.
Troquei o luxo pelo lixo. Essa nobreza fede. Fede porque vivem no lixo, estragando a cara do nosso Reino. Buscam dinheiro de maneira injusta. Vendem pessoas. Fazem da sociedade um celeiro humano. Eles plantam pessoas, colhem animais. Cansei de ver o vandalismo. Quero o meu nome de volta. Quero a minha dignidade de volta. Fui expulso do palácio real. Perdemos o poder. Enfraquecemos a dinastia. Minha mãe chora todos os dias ao ver seu povo sofrendo, seu povo pedindo esmolas. Ela cansou de ver sofrimento. Vendeu tudo o que tinha. As jóias foram saqueadas. Tem apenas o vestido do corpo. Que nobre ela se tornou. O brasão foi derretido, transformado em moeda.
Onde está a minha vida?
A minha identidade?
Quero melhorar esse reino, melhorar a minha vida. Mas para isso, preciso voltar a ser príncipe. Preciso da minha coroa, do manto de meu pai e das jóias de minha mãe. Preciso recuperar tudo aquilo que me tiraram: o sentimento nacionalista, a dinastia, o meu nome, a minha dignidade, o meu respeito, a minha alegria.

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