Sempre teve vontade de escrever um livro. Mas nunca soube o que abordar. Pensou em várias histórias, varias personagens, mas nada era novidade. Sua história jamais seria publica. seu sonho foi se tornando algo distante. Via grandes escritores com vendagem de mais de 10 mil exemplares, ganharem prêmios, mas lembrava-se de que seu sonho era impossível. Foi assim que Lúcio cresceu, acreditando na impossibilidade de se tornar escritor.
Aos 16 anos, iniciou um trabalho. escreveu parte da sua história, mas via que era sem graça. Sua biografia não tinha emoções, aventuras e nem grandes amores. O único amor... ah, esse foi de infância e só a encontraria anos mais tarde. Sua obra estava dividida em duas partes: a primeira que ia do nascimento até os seus 11 anos, e a segunda que ia dos 11 anos até os 16. Na primeira parte, nada de emocionante, nada de muito curioso ou surpreendente. Contava sobre a sua família, suas frustrações escolares, e nada mais. A segunda parte, era ainda mais chata - escola, sonhos, pensamentos.
Mostrou a obra incompleta para seus familiares, e todos elogiaram o trabalho. Era uma façanha inédita na família. Mostrou aos colegas e todos gostaram - seria famoso. Mas nenhuma pessoa foi capaz de falar o que estaria disposto a ouvir. Todos elogiaram, mas não falaram o que precisava mudar, o que precisava acrescentar. Critica zero. Ele mesmo ainda não tinha revisado, nem lido com tanta atenção. Leu. Chorou. Estava horrível. Jogou fora. Jamais seria um escritor. Jamais estaria concorrendo a algum prêmio. Dando entrevistas e entretendo as pessoas com suas palavras.
"Bola pra frente!" Foi essa a frase que proclamou após chorar. Secou as lágrimas. Pegou um livro em sua mão. Abriu e começou a ler. Era Grande Sertão: Veredas. O nome tinha chamado a atenção de Lúcio quando comprara, mas nunca lera. E aquela era a grande oportunidade. Leu, emocionou-se com a história. Devorou o livro. Notou que era preciso percorrer pequenos caminhos, veredas. Essa era a grandiosidade. O Grande Sertão era, na verdade, pequenos caminhos; assim seria a sua obra: Grandiosa pela simplicidade. Não eram grandes textos que o faria grande escritor, e sim pequenos textos com simplicidade mas grandiosidade naquilo que queria passar.
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"... O Grande Sertão era, na verdade, pequenos caminhos; assim seria a sua obra: Grandiosa pela simplicidade. Não eram grandes textos que o faria grande escritor, e sim pequenos textos com simplicidade mas grandiosidade naquilo que queria passar."
ResponderExcluirPerfeito, adorei o texto Dih e principalmente esse final.
Parabéns! ;)